(Este texto faz parte de uma série de artigos que posto originalmente no LinkedIn e a pedidos dos seguidores do de Aluguel veio para cá!)

Em poucos meses eu faço 30 anos e boa parte das pessoas com quem convivo estão nessa faixa etária também. Somos todos millennials e a sensação que eu tenho é de que estamos todos doentes.

A Jéssica de 18 anos tinha uma ideia bem diferente de onde a Jéssica de 30 anos estaria. Não sei bem onde tudo começou a mudar, se foram nas expectativas infundadas dos 18 anos ou se foram nas decisões tomadas depois disso.

Fato é que 12 anos depois eu vim parar em algum lugar cercado de ansiedade e sem conseguir enxergar um palmo à frente quando o assunto é futuro. E, aparentemente, não estou sozinha.

Nós somos uma geração cheia de escolhas e de informação, mas ao mesmo tempo estamos cheios de incertezas.  Não temos mais obrigação de nos casarmos, de ter filhos ou de ter o mesmo emprego a vida toda. Sabemos de tudo o que acontece no mundo (e também com os nossos colegas do jardim de infância). Ao mesmo tempo, que não temos mais a garantia de uma aposentadoria, por exemplo. Não basta apenas trabalhar duro para descansar um dia.

Sinto que tantos caminhos e tantas ideias acabaram nos deixando paralisados. E são tantas escolhas que podemos (e devemos) tomar que as mais banais podem ativar o gatilho da ansiedade e a gente só quer gritar: eu não quero decidir mais nada!

Entre uma crise de ansiedade e outra e conversas com pessoas que também passam pelo mesmo, separei algumas coisas que costumam ajudar as crises a não serem tão constantes:

Sem tempo, irmão!

Filtre as pessoas que você segue nas redes sociais. De amigos a influencers fique apenas com quem não te faz sentir mal consigo mesmo. A blogueira maravilhosa, mas que só me fazia sentir pobre e mal vestida? Sem tempo, irmão! Afinal, vamos ser sinceros, Jéssica, quando é que você vai ficar naquele hotel 5 estrelas em uma ilha paradisíaca usando uma bolsa Chanel? Pois é… Nada contra você, amiga blogueira, mas as nossas contas bancárias não são tão compatíveis assim.

Já a nutricionista que me mostra uma alimentação melhor que o Burguer King que eu almocei ontem, permanece. Ou seja, a lógica é mais ou menos a seguinte: cria expectativas irreais? Tchau! Agrega valor na minha vida e me mostra algo novo? Fica.

 

Não seja do tipo 8 ou 80

Sem tempo para ler o capítulo inteiro do livro que você se propôs? Não precisa largar tudo e abandonar o livro. Leia uma página, já vai ser melhor do que nada. As coisas não são apenas de uma determinada maneira e nem da maneira que você determinou. Dance conforme a música e fazer uma parte do que você tinha em mente não te faz um fracassado, te faz melhor do que se não tivesse feito nada.

 

Você não precisa estar sempre fazendo algo incrível

A nossa sociedade glorifica a produtividade, tanto é que amamos a frase “estou sem tempo”. Isso é um sinal de que somos atarefados e se somos atarefados somos bem sucedidos, certo? Errado. Tá tudo bem não fazer nada de vez em quando, tá tudo bem MESMO! A vida das pessoas comuns é basicamente feita de momentos banais e as vezes acontecem coisas incríveis, na maior parte do tempo não!

 

O mito do trabalho criativo

Além da produtividade, a sociedade vem colocando outra coisa em um pedestal: a criatividade (que, por sinal, é meio avessa à produtividade! Fe Neute falou sobre isso lindamente nesse vídeo aqui). E com isso temos a sensação de que trabalhos incríveis são apenas aqueles ligados de alguma maneira à criatividade e que o trabalho robozinho que fazemos não tem sentido algum.

A gente precisa entender que trabalhos ligados à criatividade estão cheios de burocracia também e não consistem apenas  em trabalhar a hora que quiser sentado em uma bola de pilates abraçando um cachorro. Trabalho é trabalho e a gente sempre vai encher o saco dele em alguns momentos.

Outro ponto importante é enxergar um propósito no que você faz hoje, assim fica mais fácil levantar cedo todos os dias. E não pense em propósito apenas como algo mágico, como mudar o mundo ou acabar com a AIDS. O seu propósito no emprego atual pode ser apenas juntar dinheiro para pedir demissão!

 

Tenha uma rotina

Quando as coisas não estão minimamente organizadas fica mais fácil entrarmos em pânico e acharmos que não estamos fazendo nada do que deveríamos.  Se a sua intenção é comer saudável crie rotinas para que isso se torne mais fácil, como deixar marmitas prontas, assim você não sofre se sentindo um fracasso porque almoçou um Burguer King (oi, tá falando comigo?).

Além disso, inclua na sua rotina exercícios físicos. Achou que essa lista estaria imune a isso? Quem me dera, mas eu aprendi na prática que mexer o corpinho libera algumas coisas que não sei quais são e que me fazem sentir bem e…menos ansiosa!

 

Qual a única coisa que você precisa fazer agora?

Durante as minhas crises de ansiedade meu marido me fazia essa pergunta: qual a única coisa que você precisa fazer agora?

Essa pergunta tem algo de mágico e imediatamente fazia minha mente voltar de onde quer que ela estivesse para o momento presente. Uma vez a crise veio no momento em que eu estava levantando o 3D de um projeto e eu pensava que de maneira nenhuma iria termina-lo, ele me fez a pergunta mágica e eu respondi: preciso colocar as portas e janelas dessa sala. Pronto, coloquei portas e janelas e depois me perguntei de novo: qual a única coisa que preciso fazer agora? A crise passou e eu terminei o projeto.

 

Procure ajuda

Desde pequena eu sempre tive muito medo das “doenças da cabeça” (já ouviu sua mãe falar que alguém ficou doente da cabeça?), não sei bem o motivo, mas não ter controle dos meus pensamentos e ações sempre foi algo que me atormentou. Por isso, desde que passei a receber um salário não pensei duas vezes em procurar ajuda médica quando não me sentia bem “da cabeça” e hoje em dia levanto a bandeira que todo mundo precisa de terapia. Por que? Porque alguém vai te ouvir verdadeiramente durante 1 hora. Além disso, você separa um momento da sua semana para falar, pensar e ouvir você. Mais ninguém.

Antes de escrever esse texto eu fiz uma pesquisa no meu Instagram e 86% das pessoas que votaram (mais de 1600 pessoas!) afirmaram que se sentem ansiosas, mas apenas 48% disse que já procurou ajuda psicológica, ou seja, estamos super ansiosos, mas ainda precisamos tratar esse problema.

Autoconhecimento

Ficou por último porque é o mais importante e nunca termina, ao longo da vida vamos conhecendo novos pedaços da gente. Se conhecer nos permite saber o que gera a ansiedade e lidar com isso antes de uma crise chegar. Eu descobri que listas enormes de afazeres me dão ansiedade, não eliminei as listas da minha vida, mas reduzi a um número que realmente me fazem ficar tranquila e me sentir organizada e não apenas jogar na minha cara que tenho um milhão de coisas para fazer e que elas são inversamente proporcionais ao meu tempo e à minha vontade.

Espero ter te ajudado, me conta aqui se isso aconteceu!